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Brasil Cadê o dinheiro?

Entidades de classe fecham o cofre e regionais amarguram na pandemia sem apoio

O que era para ser um trabalho em equipe acabou se transformando no maior dilema de um gestor de entidade de classe.

06/09/2021 17h10
Por: Redação Fonte: Redação
Representantes dos Estados ficam em Brasília, mas o apoio não está acontecendo!
Representantes dos Estados ficam em Brasília, mas o apoio não está acontecendo!

O que era para ser um trabalho em equipe acabou se transformando no maior dilema de um gestor de entidade de classe.

Conselhos regionais de profissões regulamentadas, federações, sindicatos, câmaras setoriais, associações tiveram alterações no cronograma de trabalho devido a pandemia de coronavírus.

Isso porque, a maioria das entidades locais (municipais e estaduais) dependem de acordos e repasses da esfera nacional da sua categoria, mas na pandemia o que se percebeu foram os órgãos federais fecharem os cofres e deixarem “presidentes e diretores” locais na berlinda.

Porém, o “fechamento da torneira” dos recursos financeiros foram apenas para as unidades regionais e estaduais, mas no âmbito federal, muitas regalias continuaram, como pagamento de diárias, jetons, passagens aéreas e folha de pagamento sem a devida redução de custeio.

O jornal DF Informa conversou com um profissional que atua em conselho de classe na região do Nordeste. Uma das explicações para essa reportagem obtivemos com nossa fonte, o chamaremos de “Pedro” – nome fictício devido ao trânsito que ele tem no meio classista.

“Vemos que, ao invés desses conselhos federais ajudarem mais os conselhos regionais, o que fizeram foi uma verdadeira atrocidade fechando as portas. Cortaram todos os apoios financeiros, ajuda em todos os sentidos e argumentaram que devido a pandemia a receita da instituição caiu, os recebíveis estacionaram e por isso não podem ajudar”, desabafa Pedro que sofre com seus aliados no Estado para tocar a instituição.

Por mais que a Internet possibilite acesso a qualquer telefone ou e-mail de membros da classe, muitas das atividades precisam de recursos, para compra de equipamento, pagamento de serviços técnicos de informática e transmissão, publicidade, contratação de sistemas de gestão e qualificação profissional de alto nível. Todas essas atividades foram praticamente abandonadas pelos conselhos de classe, mesmo porque sindicatos já estavam praticamente “mortos” depois que o Congresso Nacional aprovou a não obrigatoriedade de recolhimento da contribuição sindical por parte do trabalhador.

Muitos trabalhadores entenderam como um alívio não serem obrigados a pagar o sindicato, mas também passaram a ser desassistidos e ficaram sozinhos na guerra entre “patrão x empregados”.

“Se fizer um levantamento, todos irão ver que o corte financeiro foi apenas para as entidades de classe regionais, porque para a turma que atua na esfera federal, os gastos continuaram os mesmos e, se duvidar, pode até ser que aumentaram”, contou Pedro, nosso personagem que entende do sistema de entidades classistas.

Quando as entidades de classe mais precisaram de marketing, se viram diante de uma “crise sem fim”, ou seja, zero recursos financeiros para uma das principais áreas de qualquer profissão.

Em outra área, por exemplo, entidades de classe adotaram a postura de ajudar quem é “amigo da diretoria”, caso contrário, o sistema é porteira fechada. “Exatamente assim. Quem é favorável a diretoria, tem acesso e as coisas [viagens, apoios, etc], quem não é favorável aos atos da diretoria, não é beneficiado em nada, vai apenas às reuniões mensais e assiste os “puxa-sacos” se darem bem fazendo as coisas com o dinheiro dos profissionais e trabalhadores”, conta Pedro, explicando que tem até casos em que parte dos recursos pode ter sido utilizado para projetos que envolvem “ocasiões particulares”, se avaliar o projeto nas boas práticas da gestão pública.

Nosso personagem que entende tudo de órgãos de classe deixa uma forte mensagem aos profissionais de todas as áreas, que merece uma reflexão: “as entidades de classe, que são os conselhos de profissões regulamentadas, funcionam como o Congresso Nacional e as demais casas de Leis. Como dizia um famoso filósofo que afirma que não existe ninguém lá na política que não fomos nós que colocamos. E nos conselhos de classe é a mesma coisa. Enquanto o eleitor, que são os profissionais, não votarem certo de acordo com os projetos, pautas e sem interesses pessoais, teremos entidades engessadas, fracassadas e regradas a atividades que não tem nada a ver com a realidade e só dinheiro sendo gasto. É um retrato. Se um vereador é ruim, é sinal que seu eleitorado errou ao votar. Se temos um diretor ou um representante ruim em determinada entidade de classe, é porque os profissionais não estão nem aí para a profissão, mas que não adianta reclamar depois. Nossos representantes são o reflexo das nossas incompetências”, explica Pedro.

Ele ainda conclui que, “sempre que já um projeto de lei querendo acabar com os conselhos de classe, todos se mobilizam, fazem barulho, convocam Deus e o mundo para resolver, detonam os políticos que votariam no referido projeto, mas o engraçado é que, porque não fazem o mesmo movimento para defender a profissão e os profissionais? Simples, porque não estão comprometidos”, conclui Pedro que conversou com o jornal DF Informa e teremos novos episódios desse assunto.

O DF Informa separou cinco outros conselhos de classe para promover a série de reportagens e fará o contato com todos.

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