Quinta, 16 de Setembro de 2021 21:26
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Política CPI da Covid

Senador usa CPI da Covid para fazer palanque eleitoral e atacar o GDF

Depoimento de ex-secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo, foi “prato cheio” para o tucano Izalci Lucas atacar a gestão de Ibaneis Rocha. Senadores tentaram ligar Araújo a Precisa Medicamentos, mas "caíram do cavalo"

04/09/2021 13h41 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Fonte: Redação
Francisco Araújo
Francisco Araújo "cortou o barato" dos opositores do GDF

Preso em 2020 mas ainda sem qualquer condenação, o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo, foi a CPI da Covid do Congresso Nacional responder as perguntas, possíveis ligações com as empresas investigadas e sua relação com o ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros, líder do governo na Câmara Federal.

Em depoimento à CPI da Covid, Francisco Araújo negou envolvimento nas fraudes em testes rápidos contra a Covid-19. Ele ainda disse que sua indicação para ser secretário de Saúde do DF foi técnica e que o tempo está sendo o senhor da razão para provar a inocência.

O ex-secretário foi preso em agosto do ano passado, no âmbito da Operação Falso Negativo, iniciada pelo Ministério Público com apoio da Polícia Civil no Distrito Federal e de demais estados. Segundo os órgãos, há indícios que ele liderava um grupo que estaria desviando recursos públicos.

Antes de ser secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo foi presidente do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (IGES-DF), criado para resolver os problemas de gestão na principal área de todo o Estado, a saúde. O jornal DF Informa conversou com algumas pessoas que atuaram na saúde e confirmaram que, desde que o IGES-DF foi criado, Araújo teria sido um dos melhores gestores da pasta.

A operação em que Francisco Araújo foi preso apura a venda de testes rápidos de baixa qualidade e com sobre preço. Segundo dados dos órgãos, há indícios de que a Precisa Medicamentos teria sido beneficiada em processos de compra desses testes. 

A Precisa também fechou contrato com o Ministério da Saúde para venda da vacina indiana Covaxin. O negócio estava sendo investigado e acabou cancelado por fortes indícios de irregularidades.

Na internet, em vários canais de comunicação transmitindo ao vivo pelo Youtube, internautas “toravam o pau” em ataques. Grupos que defendiam o presidente Jair Bolsonaro e petistas trocavam acusações. Os ataques de todos os lados mostram e antecipam como será o cenário eleitoral de 2022.

O senador Izalci Lucas, do Distrito Federal, que tem atacado a gestão do governador Ibaneis Rocha de olho nas eleições de 2022, foi o mais “feroz” durante o depoimento de Francisco Araújo. Izalci não escondeu o objetivo de atacar o Governo do Distrito Federal (GDF) e foi “pra cima” de Araújo que, conforme avaliações políticas, “deu um show no senador”.

Araújo negou relação com a empresa e disse não ter nenhum contato com pessoas da Precisa Medicamentos.

“Eu, enquanto secretário de Saúde, mandei cancelar o processo de compra e reabrir para comprar 300 mil testes, onde participaram sete empresas, entre elas a Precisa. Eu tenho a minha consciência tranquila, em paz, que não tem e nem terá a minha digital em nenhum só lugar de relação com a empresa Precisa”, afirmou Francisco Araújo.

Na audiência, senadores criticaram a compra de testes de baixa qualidade e sinalizaram que isso pode ter contribuído com o aumento das mortes. O ex-secretário de Saúde do DF disse que “os testes tinham certificados. Se tem algum teste que matou alguém, a responsabilidade é da Anvisa, porque os testes foram todos avalizados pela Anvisa”, afirmou o Araújo deixando os senadores sem palavras e na saia justa. 

Sem saber para onde e como atacar o Governo do Distrito Federal, o senador Izalci incorporou o “político-coach” e tentou sensibilizar todos com um comentário acolhedor travestido de interesse político. Izalci perguntou se Francisco Araújo “dorme bem”.

O ex-secretário de Saúde do DF respondeu em tom calmo: “muito bem”, e com a “consciência tranquila”.

Mais uma vez, Izalci partiu para o desespero na audiência e novamente tentou ligar os casos da CPI da Covid do Congresso a gestão do governador Ibaneis Rocha. “Mesmo sabendo que milhares de pessoas tiveram suas vidas afetadas por essa Covid e há várias irregularidades na secretaria e nos Iges?”, questionou Izalci.

O senador Izalci transformou palco da CPI da Covid do Congresso Nacional em palanque eleitoral. Pelas redes sociais, o senador tem atacado diariamente todo o sistema de saúde, mas quase nenhuma proposta de melhorias. O senador usou o sistema de projeção para transmitir uma espécie de organograma da possível máfia que atuava na rede pública.

Sem provas e sob indícios de insinuações, Izalci colocou no slide nomes de gestores que nunca foram investigados e nem presos, demonstrando desespero para usar do momento da CPI para atacar o GDF. Um dos nomes citados no slide e que foi secretário de Saúde por duas vezes e tem histórico técnico de trabalho, é de Osnei Okumoto.

Também nas redes sociais, deputados opositores a Ibaneis Rocha pegaram trechos do depoimento de Francisco Araújo para fazer montagens e ataques ao GDF, praticamente seguindo a mesma linha política do senador Izalci, sempre com foco em 2022. Com a pandemia, muitos políticos não estiveram perto da população e foram prejudicados em demonstrar seu trabalho. 

Senador Izalci já prestou inúmeros elogios ao governador Ibaneis Rocha e estiveram juntos no mesmo palanque, mas o tucano agora sonha com a cadeira mais alta do Palácio do Buriti.

Sem pautas técnicas e sem atuação populistas, os pré-candidatos a 2022 miraram nos ataques a quem está na gestão. Das contratações de novos profissionais de saúde, compras de medicamentos e insumos, construção de novas UPAs, reformas de unidades básicas de saúde, investimentos em hospitais, nenhuma dessas conquistas para a saúde do DF são citados por políticos que atacam politicamente o governador Ibaneis Rocha. 

Ainda no depoimento, a Francisco Araújo foi perguntando sobre a sua relação com o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros. Araújo afirmou direto: “Não o conheço... em momento algum” esteve com ele.

Sem sequer uma única condenação, o ex-secretário de Saúde do DF Francisco Araújo disse que vai provar sua inocência. Nas redes sociais, ele tem seguido uma rotina de palestras motivacionais, juntando positivismo com fé.

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