Quarta, 16 de Junho de 2021 19:48
61998647854
Brasil Covid-19

Vídeo exclusivo: ex-ministro Mandetta solta o verbo sobre a gestão brasileira na pandemia

“Variáveis da pandemia deveriam ter sido a bússola da Economia, e não a frieza dos números”, diz Mandetta

11/05/2021 09h40 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Fonte: Redação
Mandetta é o maior pesadelo do grupo de Jair Bolsonaro
Mandetta é o maior pesadelo do grupo de Jair Bolsonaro

Para ex-ministro, governo minimizou medidas de combate à Covid-19, produziu ações descoordenadas e, com isso, aprofundou impactos econômicos

O governo Jair Bolsonaro minimizou diretrizes estabelecidas pelo próprio Ministério da Saúde no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e tomou decisões econômicas equivocadas por desconsiderar variáveis sanitárias na análise de cenários e no desenho de políticas.

A leitura é de Luiz Henrique Mandetta, que comandou a pasta até abril de 2020, quando foi demitido em meio a divergências públicas com o presidente. O ex-ministro participou de live promovida pelo InfoMoney – dois dias após prestar depoimento à CPI da Pandemia. 

Para Mandetta, ao tentar priorizar a economia em meio à crise sanitária, o governo abandonou medidas importantes no combate à Covid-19, produziu ações descoordenadas e provocou impactos ainda mais severos sobre a atividade econômica.

“Acharam que a doença ia durar dois ou três meses. Acharam que aquilo faria uma imunidade de rebanho, rápido. E, tendo a imunidade de rebanho, a doença ia embora. Calculou-se um valor para o auxílio, imaginando que iriam dar por três ou quatro meses. Quando chegou em dezembro, suspendeu. Nós ficamos quatro meses com desemprego lá em cima e as pessoas passando fome por cálculo errado da Economia”, afirmou.

Assista a entrevista na íntegra:

Em um contexto de pandemia, em que a dinâmica da disseminação do vírus é variável fundamental para a definição do comportamento da economia, Mandetta acredita que o Ministério da Saúde teria sido o principal aliado do ministro Paulo Guedes (Economia).

“Quem mais poderia auxiliar o ministro da Economia para a tomada de decisões seria o Ministério da Saúde. Para falar quanto tempo ia levar, qual era a capacidade do sistema, quantas vezes poderíamos entrar em colapso, qual era a capacidade da indústria de produzir medicamentos, respiradores, EPIs, abrir leitos, quantos especialistas temos, quantos médicos, enfermeiros e fisioterapeutas perderíamos no caminho”, disse.

“Esses cálculos, que não são comuns para a Economia ‒ quando há uma epidemia em que você está falando de vida ou morte, direito de viver ou morrer ‒, deveriam ter sido a bússola do Ministério da Economia, e não a frieza dos números”, pontuou.

“A Economia tem que entender que está a serviço do quadro social. Ela não pode ser apenas o número. Então, ela tem que vir junto com decisões tomadas convergentes com a solução da origem do problema”, reforçou.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias