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Entretenimento Cultura

Espetáculo no banheiro do Congresso expõe odores da política

Em cartaz na segunda quinzena de maio, peça de Alexandre Ribondi será transmitida de graça, pelo Youtube

10/05/2021 08h35
Por: Redação Fonte: Redação
WC pertence a um clã familiar de políticos (situação que quaaase não acontece, né?)
WC pertence a um clã familiar de políticos (situação que quaaase não acontece, né?)

Lembra do senador que escondeu dinheiro em lugar, digamos, íntimo, e quando foi instado por policiais federais a devolvê-lo, ele estava... sujo? Lembra do outro sujeito que foi flagrado pela PF recebendo uma mala com muito dinheiro de um executivo daquela empresa de carnes que, há tempos, diziam que era do Lulinha? Então. Que os muitos episódios da vida real sejam lidos - ou não - como mera coincidência para esta peça incrível que entra em cartaz, virtualmente, na Casa dos Quatro, no próximo dia 13. É "WC - Uma Tragédia Fedida".

Na trama, Wagner Cardoso - o WC - pertence a um clã familiar de políticos (situação que quaaase não acontece, né?). E ele está tenso por ter perdido a mochila... No banheiro da Câmara dos Deputados. "Infelizmente as atitudes do meu personagem não estão distantes das atitudes dos nossos representantes no Congresso e nas câmaras municipais. O que acontece nesse banheiro poderia se desenvolver em outros espaços, nas ruas, nos corredores, no plenário também", lembra o intérprete de WC, Fernando Oliveira. "Por exemplo (contém spoiler, o diretor deixou), nessa peça o deputado empunha uma arma contra o faxineiro. Em 2019 o líder do PSL foi acusado de portar arma em plenário", completa.

Direção e dramaturgia

O texto e a direção são de Alexandre Ribondi. O dramaturgo é capixaba, radicado em Brasília há mais de 50 anos, e depois de anos dedicados à comédia e à sátira política, enveredou pelos temas mais ácidos da existência humana no Brasil: só de 2016 para cá, montou peças sobre a ditadura militar, LGBTfobia, racismo, etarismo, feminismo, e a produção não para. E nessa nova montagem de WC (a primeira temporada foi em 2019), está ainda mais afiado. Perguntado sobre se o odor de uma tragédia fedida como está tem amenizado, ele é categórico: "o fedor tem aumentado. E muito. Tem fedor fétido de governante erfermo que caga dia sim, dia não. A peça ficou subitamente muito mais atual. O mínimo ganhou mais significado".

Um certo Ubiratã

No palco, WC tem um encontro com Ubiratã Lima. É dele a frase que sintetiza o conflito que se desenrola ao lado dos rolos de papeis higiênicos, vasos sanitários e mochilas perdidas: "estou aqui para limpar as merdas que vocês fazem".

Quem dá vida a Ubiratã é o experiente ator Marcelo Pelúcio. "O que acontece na peça é uma lupa colocada no cotidiano de cada um de nós para escancarar o que está acontecendo o tempo todo em nosso país. É uma forma de pedir 'uma pausa por favor' citando [a diretora e atriz] Adriana Lodi. Uma pausa pararefletir / sentir / questionar esse absurdo para, quem sabe, fazermos como Ubiratã, que é um agente sanitário: trabalhar por um mundo mais asseado do ponto de vista da impurezas da alma humana".

Impossível perder!

O espetáculo é uma realização da Casa dos Quatro, espaço multicultural brasiliense aberto em 2016 em Brasília (DF) e que tem lutado todos os dias para resistir à pandemia. As apresentações serão virtuais, de 13 a 23 de maio (quintas a domingos), sempre às 20h, no Youtube da Casa dos Quatro. O espetáculo foi financiado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), e não é cobrado ingresso. Porém, você poderá contribuir com a manutenção do espaço.

"O texto de Alexandre Ribondi é sempre um grande trabalho teatral. Vivenciar as escolhas que ele deu para os atores no palco com sua direção será, no mínimo, divertido, já que sua veia cômica não escapa de suas obras, sem deixar de lado a profundidade de sentimentos pelos quais os personagens travam essa batalha de egos, ânimos, classes e existências", declara Pelúcio.

"Dizem que Oscar Wilde disse que a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida. Eu concordo. Na minha opinião o objetivo da peça não é revelar o que acontece nos banheiros do Congresso. É muito maior que isso. O que a gente deseja é mostrar o querem eles, os deputados, e dizer o que queremos nós, o povo. E é por isso que eu recomendo que você assista WC. Vem!", convida Fernando.

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